sábado, 5 de janeiro de 2008

Um caminho para a Santidade

A PEQUENA VIA



Já que vemos o caminho, corramos juntos

(Santa Teresinha, Obras Completas, Carta 197)


O mundo tem sede de Deus. As pessoas querem fazer uma experiência de Deus. Querem encontrar um sentido mais profundo para suas vidas. Estão cansadas de sofrer, desesperançadas. Existe uma infinidade de caminhos espirituais e de espiritualidades a seguir. Teresinha afirma: Como os caminhos, pelos quais o Senhor conduz as pessoas, são diferentes!


Temos um caminho a lhe oferecer. Uma nova estrada, aquela palmilhada pela Santa de Lisieux. Segundo ela, um caminho real... vereda que foi traçada pelo próprio Jesus. Gostaríamos que você fosse suficientemente audacioso para provocar uma verdadeira revolução em sua vida conhecendo a Pequena Via, ou Pequeno Caminho, síntese da vida e da espiritualidade daquela que foi chamada de filigrana do Espírito Santo pelo filósofo Emanuel Mounier. Esta Pequena Via poderá ter o efeito de uma bomba em sua vida. Prepare-se para uma explosão de alegria e de desejo de viver o Evangelho seguindo as pegadas da Padroeira das Missões. Você também pode ser santo!


Pequena e frágil, Teresinha tinha consciência de ser um nada diante de Deus. Meditava a vida dos santos e ficava encantada com seus gestos de heroísmo, suas duríssimas penitências. Comparando-se a eles, verdadeiros gigantes espirituais, ela se sentia um grão de areia. Mas nem por isso desistiu de buscar a santidade. Apesar de sua pequenez, conseguiu descobrir um pequeno caminho bem direto, bem curto, um pequeno caminho todo novo em sua busca de perfeição.


Incapaz de subir por própria conta os patamares da Montanha do Amor e de escalar a rude escada da santidade, pediu a Jesus que a levasse nos braços ao cume da perfeição. Jesus seria o seu elevador e ela, docilmente, se lançaria nele numa vida de entrega e submissão. Estava começando a trilhar a Pequena Via e podia profetizar: ... Como haverá pessoas admiradas ao ver o caminho pelo qual eu fui conduzida!...


Você quer tentar seguir a Pequena Via? Os pontos principais da espiritualidade da Pequena Via são os seguintes:

1. Desça imediatamente de seu pedestal!
Reconheça a sua pequenez. Aceite suas próprias limitações. Aceite-se como você é. Lembre-se de que você foi feito de barro. Veja o exemplo de Teresinha: ... Sei sempre encontrar o meio de ser feliz e de aproveitar de minhas misérias... Lembre-se de que Deus o fez assim, fraco e pecador. Diante d'Ele somos um nada. Dispa-se de toda vaidade e orgulho. Saiba exatamente quantos passos suas pernas podem dar. Desça do pedestal de sua arrogância. Seja humilde. Você é incapaz de atingir a santidade sozinho. Coloque-se diante de Deus como você é e não como gostaria de ser.


2. Sem Deus, você não é ninguém!
Quem o dirige nessa caminhada é Deus. Se você consegue exercer alguma virtude, não atribua a si mesmo o sucesso de seus empreendimentos espirituais. Procure fazer a vontade d'Ele, buscando-a pela oração e pela escuta de Sua palavra. Veja bem o que escreveu Teresinha: O Bom Deus continua me dirigindo pelo mesmo caminho, não tenho outro desejo senão o de fazer sua vontade. Renda-se aos encantos de Deus. Jogue-se em seus braços como uma criança. A Pequena Via é o caminho da entrega total, do abandono. Não resista. Melhor: desista de si mesmo e se refugie no único que pode trazer um sentido pleno à sua vida: O Deus de Misericórdia. Se você deseja ser santo, lembre-se que toda santidade vem do Senhor: Sede santos como eu sou santo.


3. Reconheça: Deus é rico em Misericórdia!
A felicidade que você usufrui, a paz que invade seu coração, nada disso existe por acaso, nem por seus mérito. Deus é rico em misericórdia e só dessa misericórdia você pode viver. Adore o Deus de Amor e Misericórdia, como Teresinha. Sinta-se invadido por este manancial de amor, como nossa santinha: Parece-me que o amor me penetra e me envolve, parece-me que, a cada instante, esse Amor Misericordioso me renova, purifica minha alma... Abandone para sempre aquela idéia do Deus vingativo e cruel que lhe foi imposta na infância. Ele é doce e misericordioso, quer o seu bem. Às vezes parece frio e distante, mas na verdade Ele nunca o abandona. Ele não o poupa de sofrimentos, porque o sofrimento faz parte da vida. Em compensação, Sua Misericórdia faz de você uma pessoa forte e destemida. Jamais tenha medo de Deus. Faça como Teresinha: Não posso temer um Deus que se fez por mim tão pequeno... eu o amo! ... pois ele só é amor e misericórdia!.. A Pequena Via o fará descobrir que o amor de Deus é absolutamente gratuito. Nosso Deus é um Deus que dá a vida, que se dá, que perdoa sempre!


4. Viva o momento presente!
Pense os momentos preciosos que você está perdendo em sua vida por não viver o momento presente deixando a imaginação vaguear pelo futuro ou preso pela memória ao passado. O agora é um presente de Deus. Tome consciência do valor único e insubstituível desse minuto que você tem o privilégio de viver, esteja chorando ou sorrindo. Este momento é o único em que, na verdade, você pode amar a Deus e ao próximo. Teresa d'Ávila, a grande reformadora do Carmelo, dizia: Quem tem o momento presente tem Deus. Quem tem Deus tem Tudo. Teresinha soube viver a mística do instante e isso está muito presente em uma de suas poesias: Minha vida é só um instante, uma hora que passa. Minha vida é um só dia que se esquiva e foge bem o sabeis, meu Deus! Para vos amar na terra só tenho hoje. Por que se atormentar com a idéia do prolongamento de seus sofrimentos? Aprende a sofrer minuto por minuto: De instante em instante, pode-se aguentar muito, confidenciou Teresinha a Madre Inês.


5. Não perca o ânimo!
Que sua confiança em Deus seja sem limites: A confiança faz milagres... É a confiança, e nada mais a não ser a confiança, que nos deve conduzir ao Amor. Os caminhantes da Pequena Via não desanimam quando a estrada está acidentada, tortuosa. Acha-se muito fraco e pecador? Não pare no meio do caminho. Levante sua cabeça e prossiga. Peça a Jesus para tomar posse de sua alma e fazê-lo forte. Teresinha nos garante que seu caminho é todo de confiança e de amor. Por isso ela não compreende que ainda existam pessoas que tenham medo de um amigo tão terno. Se está difícil viver o evangelho, saiba que ele existe para todos, não para uns poucos privilegiados. A santidade é para todos. Alegre-se em ser pequeno e fraco: Sou de tal natureza que o temor me faz recuar; com o amor não somente avanço, mas vôo.


Está aí, brevemente, as grandes linhas da Pequena Via. Um projeto de vida simples e audacioso ao mesmo tempo.


Duante a concelebração eucarística no Dia das Missões de 1997, quando proclamou Teresinha Doutora da Igreja, o Papa João Paulo II disse, a propósito da Pequena Via: ela é uma via ao alcance de todos... caminho da confiança e do abandono total de si mesmo à graça do Senhor. Não se trata de uma via a ser banalizada, como se fosse menos exigente. na realidade, ela é exigente, como o é sempre o Evangelho.


Mas é uma via impregnada do sentido do abandono confiante à misericórdia divina, que torna suave até mesmo o mais rigoroso empenho espiritual.


Agradeçamos a Deus porque Teresinha nos impele à santidade de forma tão descomplicada!

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

O Natal e Santa Teresinha

SANTA TERESINHA E O MENINO JESUS


"Eu sou a bolinha do Menino Jesus; se ele quiser quebrar seu brinquedo ele é livre; sim, quero tudo que ele quiser". (CT 36)

A noite de Natal tornou-se noite de tristeza e vazio para muitos. Reduziu-se a mero festival gastronômico, antecedido de compras absurdamente caras, enquanto os pobres prosseguem vasculhando as lixeiras em busca de um pedaço de pão. Para os que pautam a sua vida pelo evangelho, o Natal é simplesmente a festa do nascimento do Menino Jesus e isso basta para encher essa data de um sentido tão profundo que nenhum comercial de TV irá arrebatar.

No Natal, contemplemos o presépio na companhia de Santa Teresinha do Menino Jesus. Meditemos sobre a importância do Divino Infante na vida da Santa das Rosa.

Teresa nem entrara no Carmelo e já se questionava a respeito de seu futuro nome como religiosa carmelita. "Sonhou acordada" que seria chamada "Teresa do Menino Jesus". Em outubro de 1882, no parlatório do Carmelo, diante de Madre Maria de Gonzaga, manteve silêncio sobre seu sonho. Para júbilo da futura carmelita, a priora sugeriu-lhe o nome sonhado. A menina viu nessa coincidência a mão de Deus: "Minha alegria foi grande e esse feliz encontro de pensamento pareceu-me uma delicadeza do meu Bem-Amado Menino Jesus". (MA 31v). Ela será a primeira religiosa do Carmelo de Lisieux a receber o sobrenome do Menino Jesus. Em sua pureza, Teresa comporá uma carta de convite para sua tomada de véu, suas núpcias com Jesus, na qual descreverá como dote de casamento da parte de seu noivo a "Infância de Jesus". Recebia dessa forma o título de nobreza "do Menino Jesus" (MA 77v).

Em sua inesquecível viagem à Itália, no dia 20 de novembro de 1887, no momento da audiência com o papa Leão XIII, Teresa corajosamente faz o pedido para ingressar no Carmelo aos 15 anos. O Santo Padre, atônito, na impossibilidade de garantir-lhe a entrada, diz-lhe apenas: "Fazei o que os superiores vos disserem". A amargura invadiu o coração de nossa Santa: "Ainda naquele dia, o sol não brilhou e o belo céu azul da Itália, carregado de nuvens escuras, não parou de chorar comigo..." (MA 64f). Angustiada, recupera a paz ao lembrar que há algum tempo se oferecera para ser o "brinquedinho" do Menino Jesus: "Tinha-lhe dito para não me usar como brinquedo caro que as crianças só podem olhar sem ousar tocar, mas como uma bola sem valor que podia jogar no chão, dar pontapés, furar, largar num cantinho ou apertar contra seu coração conforme achasse melhor; numa palavra, queria divertir o Menino Jesus, agradar-lhe, queria entregar-me a suas manhas de criança... Ele aceitou minha oferta... Em Roma, Jesus furou seu brinquedinho. Queria ver o que havia dentro e, depois de ver, contente com sua descoberta, deixou cair sua pequena bola e adormeceu... " (MA 64v). Teresinha, a bola insignificante do Menino Jesus, se entristece ao ver-se rejeitada. Mas não se desespera: "... eu não deixava de esperar contra toda esperança".

Aflita, escreverá uma carta ao Pe. Révérony, no dia 16 de dezembro de 1887. A aflição deve-se ao receio de encontrar mais empecilhos ao seu ingresso no Carmelo: "Acabo de escrever ao Senhor Bispo, Papai e meu Tio me autorizaram. Aguardo sempre confiante o "sim" do Menino Jesus. Senhor Padre, só faltam oito dias para o Natal! Porém, mais o tempo se aproxima, mais espero, talvez seja temeridade, no entanto parece-me que é Jesus que fala em mim". (CT 39).
O primeiro texto que escreve sobre o Natal é um recreio piedoso intitulado "Os anjos no presépio de Jesus", escrito na primeira quinzena de outubro de 1894. Trata-se de um diálogo em prosa e verso sobre nove melodias. Trata-se de uma contemplação maravilhada do mistério da encarnação. Aos anjos Teresa confere a missão de exaltar o "mistério inefável". Nessa peça encontramos elementos que irão solidificar a "Pequena Via": misericórdia, pobreza, infância. Na primeira cena, o Anjo do Menino Jesus (Teresinha), carregando flores e um turíbulo entra cantando:

Ó Verbo de Deus, glória do Pai,Contemplava-te no Céu
Agora vejo-te na terraFeito mortal o Altíssimo.
Criança cuja luz inundaOs anjos da brilhante morada
Jesus, tu vens salvar o mundoQuem teu amor compreenderá?(RP 2)

No Recreio Piedoso intitulado "O Divino Pequeno Mendigo de Natal pedindo esmola às Carmelitas", composto para festejar o Natal de 1895, ela retomará o tema do "brinquedo":

"Quereis, na terra serDa divina Criança o Brinquedo?...
Irmãs, desejais agradar a Ele?Fiqueis na sua mãozinha.
Se a amável Criança vos acariciaSe vos aproxima do seu Coração,
E se, às vezesm se afasta de vós,
De tudo fazei a vossa felicidade.
Procurai sempre seus caprichosEncantareis os divinos olhares.
Doravante, todas as vossas delícias
Serão os infantis desejos Dele..."(RP 5)

No Carmelo de Lisieux havia uma imagem do Menino Jesus que foi "adotada" por Teresinha. Era uma imagem de gesso policromada com 60 cm de altura, que ficava dentro de um nicho também de gesso. Era o seu querido "Menino Jesus cor de rosa", de quem ela cuidava como se fosse uma verdadeira criança. Enquanto escrevia uma carta para sua tia, a Sra. Guérin, no dia 15 de outubro de 1889, foi interrompida com a chegada de um presente. Alguém mandara entregar "duas plantas magníficas para o Menino Jesus". Teresinha confessa à tia que "ficaria confundida se não fosse para enfeitar o altar do menino Jesus, é ele, sem dúvida, que se encarregará de pagar a minha dívida junto aos meus caros tios" (CT 97). Seu prazer era enfeitar de flores o altar do Menino Jesus. Entretanto, quando Celina ingressa no Carmelo Teresinha vai chamá-la de "Flor desejada". Considera-a seu mais "encantador ramalhete" e a oferece ao Menino Jesus.

Para sua irmã Madre Inês de Jesus Teresinha compôs no dia 21 de janeiro de 1894 um texto chamado "O Sonho do Menino Jesus". Ela estava começando a pintar o famoso quadro do Menino Jesus que irá oferecer na primeira festa de Madre Inês como priora do Carmelo: "Enquanto brinca com as flores trazidas ao seu presépio pela sua esposa querida, Jesus pensa no que fará para lhe agradecer... Lá em cima, nos jardins celestes, os anjos, auxiliares do Divino Menino, já tecem as coroas que o seu coração tem reservadas para sua bem-amada" (CT 156). Nesse texto e no quadro aparece o binômio "Menino Jesus" e "Paixão". "De repente, vê ao longem objetos estranhos que nada têm a ver com as flores primaveris. Uma Cruz!... Uma lança!... Uma coroa de espinhos! e apesar disso o divino Menino não treme". O quadro apresenta muito claramente o Menino Jesus sentado com um ramalhete na mão direita e a outra mão recostada à cabeça, como quem sonha. Ao fundo distingue-se a cruz, a coroa de espinhos e a lança. Para Teresinha, Belém e Calvário são indissociáveis.

Na poesia intitulada "O viveiro do Menino Jesus", Teresinha refere-se ao Carmelo como o lugar na terra onde o Menino Jesus cria suas "avezinhas" que "cantam sem parar", entoando louvores àquele de cuja boa mão tudo as carmelitas ganham:

Tua linda mãozinha nos atrai,Menino de carícias encantadas.
Ó divino Jesus, o Teu sorrisoÉ que sempre cativa as avezinhas. (P 43, 6)

Enferma, poucos meses antes de morrer, no dia 25 de julho de 1897 contemplou a imagem do Menino Jesus que Irmã Maria da Trindade trouxera do Carmelo de Messina e exclamou: "Esse pequeno Jesus parece me dizer: ‘Tu virás para o Céu, sou eu que te digo!" (CA 25.7.4).

Teresinha será sempre do Menino Jesus. Com ele aprenderá a trilhar a Pequena Via da humildade para ensiná-la aos outros. Como o Menino de Belém buscará ser eterna criança nos braços de Deus Pai. Por isso será capaz de rezar:

"Pai Eterno, vosso Filho Único, o doce Menino Jesus é meu, pois mo destes.
Eu vos ofereço os méritos infinitos de sua divina Infância
e eu vos peço,em Seu Nome, levar às alegrias do céu inumeráveis falange de criancinhas,
que seguirão eternamente o Divino Cordeiro".(Oração 13)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Carta ao Pe.Roulland

Carmelo de Lisieux, 30 de junho de 1896

+Jesus

Meu Irmão,

O senhor me permite, não lhe dar outro nome, já que Jesus se dignou nos unir pelos laços do apostolado?É me bastante doce pensar que por toda a eternidade Nosso Senhor formou esta união que deve lhe fazer salvar almas e que Ele me criou para ser sua irmã...Ontem recebemos suas cartas; é com alegria que Nossa Boa Madre o introduziu na clausura. Ela me permite guardar a fotografia de meu irmão, é um privilégio bem especial, uma carmelita não ter retratos nem de seus parentes mais próximas, mas Nossa Mãe bem sabe que o seu, longe de me lembrar o mundo e as aflições da terra, elevará minha alma a regiões mais altas, para com que ela se esqueça pela glória de Deus e pela salvação das almas.


Assim, meu Irmão, enquanto eu atravessar o mar em sua companhia, o senhor estará perto de mim, bem escondido em nossa pobre cela...Tudo o que me cerca traz até mim sua lembrança, afixei o mapa de Su-tchuem na parede do ofício em que trabalho e o retrato que o senhor me deu repousa sempre em meu coração, no livro dos Evangelhos que não me deixa jamais. Colocando-o ao acaso, eis, sobre que passagem caiu: "Aquele que tiver deixado tudo para me seguir, receberá o cêntuplo neste mundo e vida eterna no século vindouro". Estas palavras de Jesus já se realizaram para o Senhor, pois o senhor me diz: "Parto feliz". Compreendo que esta alegria deve ser bem espiritual; é impossível deixar seu pai, sua mãe e sua pátria, sem experimentar todas as dilacerações da separação...


Oh, meu Irmão! Sofro como o Senhor, como o senhor ofereço seu grande sacrifício e suplico a Jesus espalhar suas abundantes consolações sobre seus Pais, esperando a união celeste onde os veremos rejubilar com sua glória que, rezando para sempre suas lágrimas, as cobrirá de alegria durante a bem aventurada eternidade...Esta noite durante minha oração meditei passagens de Isaías que me pareceram tão bem apropriadas ao Senhor, que não posso me impedir de copiá-las:"Arranjem um lugar durante mais espaçoso para levantar as suas tendas. Vocês se espalharão à direita e à esquerda, sua posteridade terá as nações como herança(Is 54, 2-3) ela habitará as cidades desertas... Elevem seus olhos, e olhem à sua volta; todos aqueles que os virem reunidas virão em sua direção, seus filhos virão de longe (Is 60, 4-5) e suas filhas virão se encontrar de todos os lados. Então vocês verão esta multiplicação extraordinária, seu coração admirados se dilatarão assim que a multidão da beira-mar e tudo o que há de grande por entre as nações vier até vocês.Não está aí o cêntuplo prometido?


E você não pode por sua vez gritar: "O espírito do Senhor repousou em mim, ele me encheu de sua unção. Enviou-me para anunciar sua palavra, para curar o que estão decoração partido, para devolver a liberdade aos que estão acorrentados e consolar os que choram... Eu me rejubilarei (Is 61, 10-11) no Senhor, porque me revestiu com roupas da salvação e enfeitado com ornamentos da justiça. Como a terra faz germinar a semente assim o Senhor Deus fará germinar para mim sua justiça e sua glória no meio das nações... Meu povo será um povo de justos, (Is 60,21), eles serão os rebentos que plantei... Irei às mais longínquas ilhas, (Is 66, 19-20) em direção àqueles que jamais ouviram falar do senhor. Anunciarei se a glória às nações e as oferecerei como um presente a meu Deus."Se eu quisesse copiar todas as passagens que me tocaram mais, me faltaria muito tempo.


Termino, mas antes ainda tenho um pedido a fazer-lhe. Assim que tiver um instante livre, gostaria muito que me escrevesse quais as principais datas de sua vida, eu poderia assim me unir graças que ele lhe fez.Adeus, meu Irmão... a distância não poderá jamais separar nossas almas, a própria morte tornará nossa união mais intima. Se eu for logo para o Céu, pedirei a Jesus a permissão para visitá-lo em Su-tchuen e continuaremos juntos nosso apostolado. Esperando estarei sempre unidas pela oração e peço a Nosso Senhor me deixar alegrar-me quando o senhor estiver sofrendo. Gostaria mesmo que meu Irmão tivesse as consolações e eu as provações, será isto talvez egoísmo?... Claro que não, pois minha única arma é o amor e o sofrimento e que seu gládio seja a palavra e os trabalhos apostólicos.Ainda uma vez, adeus, meu Irmão, digne-se abençoar aquela a quem Jesus deu como irmã.


Thérèse do Menino Jesus e da Santa Face.
relig. Carm. Ind.

"Não sou um guerreiro que combateu com armas terrestres, mas com a espada do Espírito que é a palavra de Deus".
"Para mim acho que a perfeição é fácil de se praticar, porque compreendi que basta pegar Jesus pelo coração..."
"Ó Farol luminoso do amor, eu sei como chegar a Ti, encontrei o segredo de me apropriar de Tua chama."
"Compreendi que o Amor englobava todas as vocações, que o Amor era tudo..."
"... Compreendi que meu amor não se devia traduzir somente por palavras."
"Não é bastante amar, é preciso prová-lo!"
"Um só ato de amor nos fará conhecer melhor Jesus..."
"... Pensar em uma pessoa que se ama é rezar por ela".
"Ó meu Jesus, lutarei por vosso amor até à noite da minha vida".
"É na tua bondade sempre infinita que quero me perder, ó Coração de Jesus!"
"... Espero tudo do Bom Deus, como uma criancinha espera tudo de seu pai".

Frases: o Sofrimento

"Quando se quer atingir um fim, deve-se procurar os seus meios. Jesus me fez compreender que era pela cruz que Ele queria me dar almas e minha atração pelo sofrimento cresceu na medida em que o sofrimento aumentou". (MA 69v)

"O sofrimento me estendeu os braços e neles me joguei com amor". (MA 69v)
"Vejo que só o sofrimento pode gerar almas". (MA 81r)
"Quero sofrer por amor e mesmo alegrar-me por amor". (MB 4v)
"Meu Deus, por vosso amor aceito tudo: se quiserdes, quero mesmo sofrer até morrer de aflição". (MC 9v)

"O sofrimento se torna a maior das alegrias, quando a gente o busca como o mais precioso dos tesouros". (MC 10v)

"Sofrer e ser desprezado! Que amargura e que glória!" (CT 81)

"A vida é apenas um sonho, em breve acordaremos e que alegria!... quanto mais nossos sofrimentos são grandes, tanto mais nossa glória será infinita". (CT 82)

"Se um suspiro pode salvar uma alma, que não podem fazer os sofrimentos como os nossos? Não recusemos nada a Jesus!" (CT 85)

"Aproveitemos de nosso único momento de sofrimento! Só vejamos cada instante... um instante é um tesouro!" (CT 89)

"Não foi sofrendo e morrendo que Jesus resgatou o mundo?" (CT 213)

"O sofrimento unido ao amor é a única coisa que me parece desejável no vale das lágrimas". (CT 254)

"Bem ao contrário de me lamentar, alegro-me porque o Bom Deus me permite sofrer ainda mais por seu amor". (CT 263)

"Sobre a prensa do sofrimento/Te provarei meu amor/Não quero outra alegria/Senão me imolar cada dia." (PN 25,7)


"Jesus, sem dúvida, mudará minha natureza no céu, do contrário sentirei saudades do sofrimento e do vale de lágrimas". (CT 258)

"Sofrer é justamente o que me agrada da vida!" (CA 25.7.1)

"Jamais teria acreditado que fosse possível sofrer tanto! Jamais! Jamais! Não posso explicar isso senão pelos desejos ardentes que tenho tido de salvar almas". (CA 30.9)
"O Bom Deus me dá coragem na proporção dos meus sofrimentos. Sinto que, no momento, não poderia suportar mais, mas não tenho medo, pois se Ele os aumentar, aumentará, ao mesmo tempo, minha coragem". (CA 15.8.6)